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O poder das Geotecnologias na Mineração Sustentável

O Futuro requer não apenas a adoção das melhores práticas, mas também da melhor tecnologia em GIS, Location Intelligence e Remote Sensing

Autor:

Jonas Maciel – Account Manager ZUKK Inovação Geoespacial

Data:
16/Novembro/2021

Num mercado cada vez mais exigente, um dos maiores desafios das grandes companhias de mineração é ter a capacidade de gerenciar e monitorar seus resíduos de forma cada vez mais eficiente, sem prejuízo de sua capacidade produtiva. 

Segundo a pesquisa Morgan Stanley’s Sustainable Signals, em 2019 cerca de 85% dos investidores já estavam interessados ​​em negócios sustentáveis, ante 71% em 2015. 

Isso mostra a importância crescente que a tríade ESG (Environmental, Social and Governance ou, em português, Ambiental, Social e Governança) tem adquirido nos últimos anos, sobretudo, durante a Pandemia de COVID-19, quando ficou ainda mais evidente que a sustentabilidade não se trata apenas de uma bela vitrine para atrair clientes, mas uma forma de reduzir riscos a longo prazo. 

Na mineração, isso não é diferente!

“… sustentabilidade não se trata apenas de uma bela vitrine para atrair clientes, mas uma forma de reduzir riscos a longo prazo.” 

De acordo com a E&T Magazine, nos últimos anos, a indústria parece ter levado a sustentabilidade ambiental ainda mais a sério: uma série de iniciativas foram lançadas por organismos internacionais e novas tecnologias introduzidas podem tornar a mineração mais limpa e verde. 

Inovação em uma das atividades mais antigas da humanidade

Na história, a primeira mina conhecida para um mineral específico foi de carvão, no sul da África, que parece ter funcionado de 40.000 a 20.000 anos atrás. Então, além de equipamentos cada vez mais robustos, eficientes e inovadores, como introduzir cada vez mais tecnologia em uma atividade tão antiga? A resposta certamente se encontra nos Sistemas de Informações Geográficas (SIG, ou, do inglês, GIS). 

De maneira geral, os resíduos de mineração se originam da separação do minério dos demais materiais, constituindo uma espécie de lama de rocha moída e efluentes químicos gerados nesse processo. Esse material é então destinado em uma área de contenção cercada por aterros, onde será armazenado nessas barragens, projetadas para serem ambiental e estruturalmente seguras. 

Nesse contexto, os Sistemas de Informações Geográficas, já largamente empregados pela indústria desde a identificação de novas áreas com potencial para exploração até o planejamento logístico para escoamento da produção, se mostram fundamentais para a adequada gestão desses resíduos, combinando o melhor da tecnologia de software, sensores e imageamento, compondo um programa de monitoramento mais amplo. 

Um caso interessante a se destacar é o da Newmont, maior produtora mundial de ouro, que almejava se tornar referência global na gestão de resíduos de mineração e, para tanto, entendeu que precisava de alguém com autoridade, experiência e habilidades sociais para lidar com o tema, melhorando o relacionamento da companhia com as comunidades e, ao mesmo tempo, extraindo o melhor de sua força de trabalho. 

Então, a experiente engenheira geotécnica Kim Morrison assumiu a função de Diretora Sênior de Gestão Global de Rejeitos na Newmont, com a visão de que “a indústria de mineração deve enfrentar coletivamente os desafios dos rejeitos e, para tanto, o futuro requer não apenas a adoção das melhores práticas, mas também da melhor tecnologia.” 

E pensando nisso, fortalecer o uso do GIS e do Location Intelligence pareceu uma excelente forma de cavar em direção à liderança global de ESG em mineração. 

 

“O futuro requer não apenas a adoção das melhores práticas, mas também da melhor tecnologia.” (Kim Morrison, Newmont) 

 

Ao colocar essa ideia em prática, a Newmont trabalhou na criação de gêmeos digitais de suas instalações, combinando inteligência espacial com uma rede de sensores, que permitiram a execução de análises espaciais cada vez mais precisas e o uso de ferramentas analíticas como portais e painéis, levando informações confiáveis, atualizadas e de mais fácil compreensão para toda a corporação, com a meta de conseguir monitorar dessa forma todas as suas operações globais. 

Vale destacar que a variável tempo, (a mesma que durante tantos anos permitiu que minas como aquela de 40.000 anos atrás se tornassem enormes instalações altamente tecnológicas) segue com fundamental importância para a melhor gestão da mineração. 

Novamente, de forma a garantir que o termo ESG não seja apenas a reunião de três letras e com pouco significado prático, o conhecimento gerado pelos dados históricos, sejam eles advindos de laudos de vistoria, relatórios, sensores ou imagens orbitais, tem um poder transformador na rotina dos gestores das plantas, tanto para melhorar suas operações atuais quanto para balizar novas expansões. 

Só não podemos nos esquecer de que a tecnologia sozinha não é capaz de solucionar tudo: por trás de toda inovação estão pessoas criativas, disruptivas e apaixonadas que fazem todo o sonho se tornar real. 

Costumo dizer que, mesmo com todos os problemas causados, a pandemia de COVID-19 trouxe algo de muito positivo: ainda que não presencialmente, ela conectou pessoas. Passamos a pensar na localização não mais como um fator limitante mas como um horizonte nascido para ser explorado, de onde descobrimos novas mentes, talentos, ideias, perfis, identidades, sotaques… E toda essa riqueza humana faz com que a tecnologia seja ainda mais fundamental, uma vez combinada com a experiência de diferentes regiões e realidades. 

A letra S de ESG não é de sistema, não é de singular, muito menos um cifrão disfarçado. Ela é de social, um social que não se dissocia do ambiente (E), um social que vai das crianças de uma comunidade ao CEO da mineradora (G) que lá opera. Então como pensar em Ambiental, Social e Governança da mineração de maneira ainda mais ampla? Talvez pensando em algumas formas de torná-la mais sustentável nesses três pilares.

7 maneiras de tornar a mineração mais sustentável

  1. Reduzir perfurações desnecessárias na fase de exploração: a Cornish Lithium conseguiu isso combinando imagens de satélite, drones e mapeamento 3D da subsuperfície com mapas de antigas minas já exploradas pela companhia. Usando tecnologia GIS a empresa identificou locais prováveis de deposição de lítio, deixando as perfurações apenas para a fase posterior, já com maior assertividade e menor impacto ambiental. 
  2. Reúso de resíduos de mineração: rochas residuais podem ser utilizadas em construções simples no local, como preenchimento e reconstrução de terreno minerado para evitar a erosão do solo; a água tratada pode ser utilizada para resfriamento, redução de poeira ou até mesmo para fins mais nobres. Além disso, rejeitos armazenados em barragens, dependendo de sua composição química e mineral, podem ser utilizados na produção de tijolos, como componentes de tintas ou em sistemas agroflorestais. Tudo depende da economicidade desse reúso. 
  3. Investir no relacionamento com stakeholders: concentrar esforços em um contato mais colaborativo com comunidades locais, governo, organizações não governamentais e a academia traz benefícios do curto ao longo prazo, garantindo o envolvimento da população local, o que refletirá também na governança das mineradoras. 
  4. Utilizar técnicas de mineração de baixo impacto: naturalmente, a depender do tipo de exploração, muitas dessas técnicas reduzem muito a perturbação da superfície em áreas mineradas, reduzindo a erosão do solo e a movimentação de materiais e resíduos que precisam de destinação. 
  5. Aumentar a parcela de energias renováveis em suas operações: o uso crescente de robôs, trens autônomos, veículos elétricos e, sobretudo, a alimentação de equipamentos das minas com energia de fonte renovável tem ganhado cada vez mais espaço. No Chile, por exemplo, Christopher Sheldon, gerente da Prática Global de Energia e Extração do Banco Mundial, afirma que “18% das minas estão já utilizam energia renovável, com meta de alcançar 70% dentro de 30 anos”. 
  6. Reabilitar antigas áreas de mineração: o solo enriquecido com biossólidos, uma vez semeado e cuidado, é capaz de produzir vegetação e prevenir a erosão de forma natural em apenas três meses. Combinando esta com outras técnicas de reabilitação (como o preenchimento de escavações, anteriormente mencionado), é possível reduzir significativamente os impactos causados pela mineração. 
  7. Combater a mineração ilegal: por estar presente, muitas vezes, em regiões inóspitas, desabitadas ou de difícil acesso, a mineração pode ser de difícil fiscalização, o que favorece o surgimento de frentes de lavras ilegais. Coibir essas práticas é de fundamental importância para que os esforços regulatórios e de legislação sejam seguidos por todas as companhias, garantindo os mesmos padrões de responsabilidade ambiental, social e de governança.

Saiba como levar o poder do GIS na sua empresa

À medida que as empresas de mineração buscam melhorar suas margens e, ao mesmo tempo, aprimorar seus programas de segurança e sustentabilidade, equilibrar incertezas e oportunidades é mais difícil do que nunca. 

Nesse sentido, os Sistemas de Informações Geográficas e os dados geoespaciais são fundamentais para que você obtenha respostas em todo o ciclo de vida da mineração, desde a exploração mineral até a recuperação da mina. 

Com tecnologia de ponta em GIS, imagens de satélite de altíssima resolução e uma equipe especialista em Spatial Data Science, nós da ZUKK podemos juntos te apoiar a criar oportunidades, maximizar recursos, otimizar a operação e reduzir riscos operacionais.

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